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A
diferença fundamental é a questão da
infalibilidade papal e a pretensa supremacia universal da
jurisdição de Roma, que a Igreja Ortodoxa não
admite, pois ferem frontalmente a Sagrada Escritura e a Santa
Tradição.
Existem,
ainda, outras distinções, abaixo relacionadas em
dois grupos básicos:
a)
diferenças gerais; e
b)
diferenças especiais.
Para
termos uma ideia dessas diferenças, vejamos o seguinte
esquema, de cuja leitura se infere uma possibilidade de
superação, quando pairar acima das paixões o
espírito de fraternidade que anima o trabalho dos
verdadeiros cristãos.
Diferenças
Gerais:
São
dogmáticas, litúrgicas e disciplinares.
A
Igreja Ortodoxa só admite sete Concílios,
enquanto a Romana adopta vinte.
A
Igreja Ortodoxa discorda da procedência do Espírito
Santo do Pai e do Filho; unicamente do Pai é que admite.
A
Sagrada Escritura e a Santa Tradição representam
o mesmo valor como fonte de Revelação, segundo a
Igreja Ortodoxa. A Romana, no entanto, considera a Tradição
mais importante que a Sagrada Escritura.
A
consagração do pão e do vinho, durante a
missa, no Corpo e no Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo,
efectua-se pelo Prefácio, Palavra do Senhor e Epíclese,
e não pelas expressões proferidas por Cristo na
Última Ceia, como ensina a Igreja Romana.
Em
nenhuma circunstância, a Igreja Ortodoxa admite a
infalibilidade do Bispo de Roma. Considera a infalibilidade uma
prerrogativa de toda a Igreja e não de uma só
pessoa.
A
Igreja Ortodoxa entende que as decisões de um Concílio
Ecuménico são superiores às decisões
do Papa de Roma ou de quaisquer hierarcas eclesiásticos.
A
Igreja Ortodoxa não concorda com a supremacia universal
do direito do Bispo de Roma sobre toda a Igreja Cristã,
pois considera todos os bispos iguais. Somente reconhece uma
primazia de honra ou uma supremacia de facto (primus inter
pares).
A
Virgem Maria, igual às demais criaturas, foi concebida
em estado de pecado original. A Igreja Romana, por definição
do papa Pio IX, no ano de 1854, proclamou como "dogma"
de fé a Imaculada Concepção.
A
Igreja Ortodoxa rejeita a agregação do
"Filioque," aprovado pela Igreja de Roma, no Símbolo
Niceno-Constantinopolitano.
A
Igreja Ortodoxa nega a existência do limbo e do
purgatório.
A
Igreja Ortodoxa não admite a existência de um
Juízo Particular para apreciar o destino das almas, logo
após a morte, mas um só Juízo
Universal.
O
Sacramento da Santa Unção pode ser ministrado
várias vezes aos fiéis em caso de enfermidade
corporal ou espiritual, e não somente nos momentos de
agonia ou perigo de morte, como é praticado na Igreja
Romana.
Na
Igreja Ortodoxa, o ministro habitual do Sacramento do Crisma é
o Padre; na Igreja Romana, o Bispo, e só
extraordinariamente, o Padre.
A
Igreja Ortodoxa não admite a existência de
indulgências.
No
Sacramento do Matrimónio, o Ministro é o Padre e
não os contraentes.
Em
casos excepcionais, ou por graves razões, a Igreja
Ortodoxa acolhe a solução do divórcio
admitindo um segundo ou terceiro casamento penitencial.
São
distintas as concepções teológicas sobre
religião, Igreja, Encarnação, Graça,
imagens, escatologia, Sacramentos, culto dos Santos,
infalibilidade, Estado religioso...
Diferenças
especiais:
Além
disso, subsistem algumas diferenças disciplinares ou
litúrgicas que não transferem dogma à
doutrina. São, nomeadamente, as seguintes:
1-Nos
templos da Igreja Ortodoxa só se permitem ícones.
2-Os
sacerdotes ortodoxos podem optar livremente entre o celibato e
o casamento.
3-O
baptismo é por imersão.
4-No
Sacrifício Eucarístico, na Igreja Ortodoxa,
usa-se pão com levedura; na Romana, sem levedura.
5-Os
calendários ortodoxo e romano são diferentes,
especialmente, quanto à Páscoa da Ressurreição.
6-A
comunhão dos fiéis é efectuada com pão
e vinho; na Romana, somente com pão.
7-Na
Igreja Ortodoxa, não existem as devoções
ao Sagrado Coração de Jesus, Corpus Christi, Via
Crucis, Rosário, Cristo-Rei, Imaculado Coração
de Maria e outras comemorações análogas.
8-O
processo da canonização de um santo é
diferente na Igreja Ortodoxa; nele, a maior parte do povo
participa no reconhecimento do seu estado de santidade.
9-Existem,
três ordens menores na Igreja Ortodoxa: leitor, acólito
e sub-diácono; na Romana : ostiário, leitor e
acólito.
10-O
Santo Mirão e a Comunhão na Igreja Ortodoxa
efectuam-se imediatamente após o Baptismo.
11-Na
fórmula da absolvição dos pecados no
Sacramento da Confissão, o sacerdote ortodoxo absolve
não em seu próprio nome, mas em nome de Deus -
"Deus te absolve de teus pecados"; na Romana, o
sacerdote absolve em seu próprio nome, como
representante de Deus - "Ego absolvo a peccatis tuis...."
12-A
Ortodoxia não admite o poder temporal da Igreja; na
Romana, é um dogma de fé tal doutrina.
Os
Dez Mandamentos
A
Santa Igreja Católica Apostólica Ortodoxa conservou
os dez mandamentos da Lei de Deus na sua forma original, sem a
menor alteração. O mesmo não sucedeu com o
texto adoptado pela Igreja Católica Apostólica
Romana, no qual os dez mandamentos foram arbitrariamente
alterados, tendo sido totalmente eliminado o segundo mandamento e
o último dividido em duas partes, formando dois
mandamentos distintos. Esta alteração da Verdade
constitui um dos maiores erros teológicos desde que a
Igreja Romana cindiu a união da Santa Igreja Ortodoxa no
século XI. Esta modificação nos dez
mandamentos, introduzidos pelos papas romanos, foi motivada pelo
Renascimento das artes. Os célebres escultores daquela
época tiveram um amplo leque de actividades artísticas,
originando obras de grande valor. Não obstante, as
esculturas representando Deus, a Santíssima Virgem Maria,
os santos e os anjos estavam em completo desacordo com o segundo
mandamento de Deus. Havia, pois, duas alternativas, ou impedir a
criação de estátuas ou suprimir o segundo
mandamento. Os papas escolheram esta última solução,
caindo em grave erro.
O
que significa ser Ortodoxo
É
ortodoxo quem pertence à sociedade dos fiéis
cristãos que, unidos pela fé ortodoxa, seguem os
ensinamentos e a doutrina da Igreja Ortodoxa e obedecem aos
seus Pastores em tudo o que é concernente à
Glória de Deus e à Salvação da
alma.
É
ortodoxo quem vive a fé e pratica as virtudes pregadas
pela Igreja Ortodoxa, à qual passou a pertencer por meio
do Baptismo ministrado por seus sacerdotes; quem assiste nas
Igrejas Ortodoxas a todas as cerimónias, recebe os
sacramentos, escuta a voz de Deus através dos pastores e
empenha-se em viver do culto e da Graça derramada sobre
todos os crentes.
É
ortodoxo quem ama o Verdadeiro Deus e ama a Jesus Cristo e a
Sua doutrina, conforme o ensina a Santa Igreja Católica
Apostólica Ortodoxa.
Em
outra ordem de considerações, é chamado
ortodoxo aquele que crê rectamente (a
palavra grega "ortodoxia" significa Doutrina
Recta).
A
fundação
da
Igreja Ortodoxa
Fundada
por Cristo sobre a fé de seus doze Apóstolos, a
Igreja Ortodoxa nasceu no ano 33 da era cristã, dia de
Pentecostes, quando o Espírito Santo apareceu aos
Apóstolos reunidos no Cenáculo como línguas
de fogo. A Igreja Cristã Ortodoxa nasceu com Cristo e seus
Apóstolos e não com Fócio no ano 858, nem
com Miguel Cerulário, em 1054, como equivocada e
erroneamente alguns propagam.
A
Igreja Ortodoxa surgiu na Palestina com Jesus Cristo, expandiu-se
com os Apóstolos e edificou-se sobre o sangue dos
mártires. Não teve a sua origem na Grécia ou
noutra região ou país que não seja a
Palestina. Ela não morre, porque vive e descansa em Cristo
e tem a promessa divina de que existirá até o fim
dos séculos. Em vão os seus inimigos e todos os
corifeus da impiedade tentaram destruí-la, negá-la,
perseguí-la. À semelhança de seu Divino
Mestre e fundador Nosso Senhor Jesus Cristo, a Igreja Ortodoxa,
desde o seu nascimento, tem padecido e sofrido terríveis
perseguições debaixo do jugo do Império
romano, passando pelo muçulmano e turco, até nossos
dias. O sangue de uma infinidade de mártires tem selado e
provado ao mundo a sublimidade do seu amor, a perfeição
e a veracidade da sua doutrina divina. Apesar de todas as
campanhas, sempre subsistiu e triunfou. Vive e viverá
eternamente em Cristo e, confiante, seguirá com Suas
palavras: "Eu estarei convosco até a consumação
dos séculos, e as portas do inferno não
prevalecerão contra Ela."
Foi
na cidade de Antioquia onde os primeiros crentes em Jesus Cristo
começaram a chamar-se, pela primeira vez, Cristãos,
denominação que usamos até hoje (At XI,26).
Logo após, a prédica cristã chegou até
Roma, capital do Império Romano, onde o Apóstolo
São Paulo formou a primeira comunidade cristã,
constituída por várias famílias que ele
enumera e saúda na sua Epístola aos Romanos,
Capítulo XVI. Da cidade de Roma, o Evangelho foi propagado
por todo o Ocidente e outras partes do mundo.
Os
bispos exerciam a administração dos cristãos;
aquele que mais autoridade tinha na sua região usava o
título de Patriarca. Eram cinco os Patriarcas que o mundo
cristão tinha nos primeiros séculos: o de Roma, o
de Constantinopla, o de Alexandria, o de Antioquia e Jerusalém.
Todos eles, com iguais direitos, eram independentes na
administração das suas respectivas regiões
e, iguais entre si, considerando-se o
primeiro
entre iguais "primus inter pares," o Patriarca de Roma,
pela condição de ser a capital do Império (I
Concílio Ecuménico, art. 6; II Concílio
Ecuménico, art. 3; IV Concílio Ecuménico,
art. 28; VI Concílio Ecuménico, art.36). A mais
alta autoridade da Igreja Cristã era, e ainda continua a
sê-lo, o Concílio Ecuménico, cujas decisões
são obrigatórias para toda a Igreja.
O
triunfo do Cristianismo teve lugar no terceiro século após
a morte de Cristo, motivado pela paz decretada por Constantino,
Imperador de Roma. Até então, o Cristianismo vivia
nas catacumbas, locais onde eram celebrados todos os actos
religiosos e se aprendia a religião de Cristo (Actos dos
Apóstolos). Desde aquela era, a Igreja segue o seu caminho
através do mundo, pregando a doutrina de Jesus Cristo.
A
separação das Igrejas
Ortodoxa
e Romana
Em
primeiro lugar devemos realçar que a Igreja Ortodoxa
nunca se separou de nenhuma outra Igreja. Ela
permanece em linha recta desde Nosso Senhor Jesus Cristo e seus
Apóstolos. Jamais se afastou, através dos séculos,
da autêntica e verdadeira doutrina ensinada pelo Divino
Mestre. Dela separaram-se outras Igrejas, mas ela não se
afastou nunca de ninguém ou da linha recta traçada
por Jesus Cristo. A Igreja Ortodoxa é una, ontem, hoje e
amanhã - é sempre a mesma. Cristo assinalou-lhe o
caminho a seguir, e ela observou-o e cumpriu-o sem se afastar
nunca do mandato de Cristo.
Triste
e doloroso acontecimento na Igreja de Cristo foi a separação
das Igrejas Ortodoxa e Romana, que por mil anos permaneceram
unidas. São múltiplas e complexas as causas;
psicológicas, políticas, culturais, disciplinares,
litúrgicas e, até dogmáticas. Todavia, é
bem certo e historicamente demonstrado que a separação
definitiva não se processou com o Patriarca Fócio,
no século IX, nem com o Patriarca Miguel Celurário,
no século XI (1054). Apesar das divergências havidas
entre ambas as Igrejas, principalmente a questão do
Filioque e dos Búlgaros, a unidade foi mantida. Os
Patriarcas Orientais e Ocidental permaneceram em comunhão,
pelo menos parcial e, mesmo em Constantinopla, as Igrejas e
mosteiros latinos continuaram a existir.
A
divisão foi efectuada durante vários séculos.
A origem desse facto histórico teve como verdadeira causa
a pretensão de Carlos Magno (século VIII - ano 792)
de contrair casamento com a Princesa Irene de Bizâncio e
não conseguir seu objectivo. Ressentindo-se com a recusa,
atacou os orientais, atribuindo-lhes erros que não tinham,
nos livros chamados Carolinos, apoiado pelos teólogos da
corte de Aix-la-Chapelle. Essa atitude prejudicou profundamente a
vida entre ambas as Igrejas, não obstante haver o próprio
Papa desaprovado a ocorrência.
A
ruptura definitiva e verdadeira produziu-se na época das
Cruzadas, que foram totalmente nefastas para as relações
entre as duas partes da Cristandade. Os bispos orientais foram
substituídos por latinos. O golpe de graça nos
vestígios de unidade que ainda existiam foi dado,
principalmente, pela famosa Quarta Cruzada, em 1198. A armada
veneziana, que transportava os Cruzados para a Terra Santa,
desviou-se até Constantinopla, e cercou a "Cidade
Guardada por Deus." Relíquias, museus, obras de arte,
e tesouros bizantinos, saqueados pelos Cruzados para a Terra
Santa, enriqueceram, inteiramente, todo o Ocidente. Até um
patriarca veneziano, Tomás Marosini, se apossou do assento
de Fócio, de acordo com o Papa Inocêncio III.
A
mentalidade do século XX, mesmo no Ocidente, não
pode deixar de recordar-se com profunda revolta e indignação,
dos actos dos cruzados contra os fiéis da Ortodoxia neste
infeliz Oriente, mormente em Constantinopla, no ano de 1204,
quando lançaram o Imperador Alexe V do cume do Monte
Touros, matando-o. Destituíram o Patriarca legalmente
escolhido, João e, no seu lugar, colocaram um cidadão
de nome Tomás Marosini. Em Antioquia, no ano de 1098,
despojaram o Patriarca legítimo, João e, no seu
lugar, colocaram um de nome Bernard. Em Jerusalém,
compeliram o Patriarca legal, Simão, a afastar-se da Sé
e substituíram-no por um chamado Dimper.
Os
abusos dos cruzados devem ser considerados, no mínimo,
actos de inimizade, além de violação do
direito. Vieram ao Oriente, alegando a "salvação
dos lugares santos das mãos dos muçulmanos árabes,"
mas o objectivo era bem outro. Quando passaram por Constantinopla
e a ocuparam na terça-feira, 13 de abril de 1204, depois
de um cerco mortífero que durou sete meses, ficaram
deslumbrados com sua civilização e riquezas,
atacaram os seus habitantes, assaltaram os seus museus e lojas,
roubaram os seus palácios e igrejas, destruíram a
nobre cidade do Bósforo e incendiaram-na, depois de
praticarem actos de rapina e pilhagem, não deixando nenhum
objecto de valor ou utensílio de utilidade doméstica.
Os
cruzados permaneceram em Constantinopla de 1204 a 1261, quando
foram obrigados a evacuá-la, no dia 15 de agosto, festa da
Assunção de Nossa Senhora, pelo General Alexe
Estratigopolos, sob o governo do Imperador Miguel Paleólogos,
que reconquistou a Capital. Depois, os cruzados foram
definitivamente aniquilados na Palestina em 1291.
O
cisma estava consumado e, apesar dos desejos e dos esforços
conjugados nesse sentido, não houve nenhuma possibilidade
de sanar a ruptura até ao dia de hoje. A esperança
de união não conseguiu converter-se em feliz
realidade, como todos apelavam. Essa ânsia motivou três
concílios: de Bai, Apúlia, em 1098; de Leão,
em 1274; e de Florença, entre 1438 e 1439. Infelizmente,
porém, não se conseguiu, em nenhum deles, a ansiada
união de todos os cristãos numa única
Igreja, debaixo de uma só autoridade: Cristo. Somente Deus
e as orações farão possível a união
de ambas as Igrejas. Todos os esforços que se realizam
actualmente em todo o mundo serão em vão e
condenados ao fracasso se não se apoiarem na oração
e no sacrifício. É necessário,
inicialmente, que se eliminem e desapareçam totalmente os
ataques, as pregações condenatórias e o
tratamento de hereges e cismáticos prodigalizados,
abundantemente, pela Igreja de Roma contra a Igreja Ortodoxa.
(Após o último Concílio Ecuménico de
Roma, cessaram os ataques contra a Igreja Ortodoxa e aos demais
cristãos). É absolutamente imprescindível
reconhecer que a Igreja Ortodoxa não é uma ovelha
desgarrada que vive no erro e nas trevas. Pedimos a Deus para
que as palavras de Cristo, "um só rebanho guiado por
um só pastor," sejam um dia, uma feliz realidade.
A
Fidelidade Ortodoxa
A
Igreja Ortodoxa manteve sem acréscimos nem reduções
a Lei que lhe foi confiada. Em três ocasiões, São
Paulo recomendou ao discípulo Timóteo que
mantivesse a fé, incólume e imaculada, tal como a
recebera, dizendo-lhe:
"Eu
te exorto diante de Deus... que guardes este mandamento sem
mácula nem repreensão até a vinda de Nosso
Senhor Jesus Cristo" (I: VI-13 e 14).
"Timóteo!
Guarda o que te foi confiado, evitando conversas vãs e
profanas e objecções da falsa ciência, a qual
tendo alguns professado, se desviaram da fé" (I:
VI-20 e 21).
"Conserva
o modelo de sãs palavras que de mim ouviste na fé e
no amor que há em Cristo Jesus. Guarda o bom depósito
com o auxílio do Espírito Santo que habita em nós"
(II: I-13 e 14).
Um
comentador das Epístolas apresentou o seguinte conceito:
Quem
recebe um depósito, cumpre restituí-lo à
pessoa que lho confiou. Um depósito não é
propriedade do depositário; este deve repô-lo,
completo, sem reduções nem modificações.
O depósito, que é a fé, é muito
precioso por constituir o direito de Deus, revelado à
humanidade. Cabe a todo crente e, especialmente, aos mestres, que
sejam fiéis na guarda desse depósito e transmiti-lo
incólume e sem alterações àqueles que
lhes sucederão.
Timóteo,
o discípulo dilecto do Apóstolo São Paulo
que o sagrou Bispo de Éfeso, cidade situada no coração
fervilhante da Anatólia, era igual aos primazes orientais,
guardiães dos conselhos dos mestres, que os transmitiram
aos sucessores sem nenhuma alteração. Os estudiosos
da história do Oriente e os pesquisadores da verdade
reconhecem que os homens do Oriente zelam com todo o rigor pelo
que se lhes confia, mormente quando o objecto confiado é
uma questão de fé, relacionada com o que representa
as contas a serem prestadas no Dia do Julgamento.
Éfeso,
que teve em Timóteo o seu primeiro bispo, permaneceu
durante longo tempo como a vanguarda do cristianismo. Nela se
realizou o VI Concílio Ecuménico. Os seus numerosos
bispos contribuíram para a grandeza da Igreja, que deles
se orgulha através dos séculos. O Bispo Marcos, um
dos seus sábios prelados, de atitudes nobres e corajosas
na defesa do cristianismo, compareceu ao Concílio de
Florença, em 1439, batendo-se quase sozinho, sem medo e
sem vacilação, com a maioria constituída de
antagonistas, em defesa da fé confiada pelos seus
antecessores.
O
bispo Marcos não era, no Oriente, o único prelado
íntegro e leal, zeloso pela pureza da fé; Como ele
existiram numerosas e nobres personalidades. Assim, todas as
deliberações dos Concílios Ecuménicos,
arquivadas pela Igreja Ortodoxa, sem acréscimos ou
reduções, foram a maior prova e o mais santo
testemunho da conservação da fé, sã e
intacta, na Igreja do Oriente.
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Cop.2005
-Igreja Ortodoxa Grega
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